“A morte que tanto rouba”

24-02-2011 22:14

  

Quando morre o poeta,

O mundo para de olhar;

Não vive, não sonha,

Não sabe pensar.

 

O poeta é a voz

E a vida que faz cantar;

No que sente e escreve,

Ensina-nos a amar.

 

Quando morre o poeta,

A noite não tem luar;

Não há mais quem repare

Nas estrelas a brilhar.

 

O poeta é a voz

E a vida que faz cantar;

No que sente e escreve,

Ensina-nos a amar.

 

Quando morre o poeta,

Não há aves a voar;

Não há quem veja as crianças

Sorrindo a saltitar.

 

O poeta é a voz

E a vida que faz cantar;

No que sente e escreve,

Ensina-nos a amar.

 

 

Quando morre o poeta,

Ninguém mais fala de amor

Como ele sabe sentir

E dar-lhe o seu valor.

 

O poeta é a voz

E a vida que faz cantar;

No que sente e escreve,

Ensina-nos a amar.

 

Quando morre o poeta,

A pena deixa de criar;

A alegria chega à meta,

Não há mais para cantar.

 

Gabriel Rito

Novembro de 1974